36 voltas ao Sol e as 50 perguntas que podem guiar a tua vida

Acredito que quando alguém faz anos cabe-lhe a si a responsabilidade de dar. Afinal, o que se celebra é a sua vida e essa vida não seria a mesma sem as pessoas que o acompanham. O aniversário é, assim, o momento perfeito para o aniversariante dizer aos outros o quão importantes são para si.

Hoje, completo a minha 36ª volta ao Sol e, por isso, cabe-me a responsabilidade de oferecer algo.

Quando fiz 32 anos escrevi um texto relativo ao meu aniversário. Repeti o processo quando fiz 33, 34 e 35 anos. Hoje, reli cada um desses textos. Gostei de umas coisas, não gostei de outras. É contudo interessante perceber que as minhas ideias principais se vão mantendo ao longo dos anos. Foi bom dar esse rápido mergulho no passado. Dá mais algum sentido ao momento presente.

HB

Este ano, que marca a entrada inexorável na segunda metade da 4ª década de vida, resolvi novamente dar algo. Desta feita, mais do que um texto com as minhas reflexões e uma certa tentativa de balanço da minha vida, resolvi partilhar perguntas.

Compilei algumas das perguntas em que mais penso e que, por isso, mais uso para moldar a minha vida.

Umas são perguntas que me faço há anos e, outras, são perguntas que me comecei a colocar há menos tempo. Não tenho respostas perfeitas para elas nem sei se algum dia as terei, sei apenas que a busca pelas respostas é, em si mesmo, a melhor resposta.

Partilho estas questões porque acho que o mais importante é saber fazer perguntas. Perguntas pertinentes. Perguntas difíceis. Perguntas que que nos fazem pensar.

Num mundo de dedo leve no gatilho das respostas, a arte de parar e questionar é cada vez mais importante. É isso que nos confronta com as nossas escolhas. É isso que nos leva a ponderar o que fazer. São as perguntas que nos levam a avaliar as nossas ações. São as perguntas que nos levam a definir quem queremos ser e onde queremos chegar.

Partilho hoje 50 perguntas. Amanhã, a lista poderia ser um pouco diferente porém, o essencial da minha reflexão pessoal fica traduzida neste conjunto. A tua lista poderá ser parecida ou muito diferente; seja como for, espero que as minhas perguntas te possam despertar algumas dúvidas e até desconforto. Se o conseguir, já me terás dado uma bela prenda neste 36º aniversário.

  1. Foste melhor hoje do que foste ontem?
  2. Estás a trabalhar no sentido de aproveitar as capacidades que tens?
  3. Tens verdadeiros amigos? O que tens feito para aprofundar a relação com eles?
  4. De que tens medo? Porquê?
  5. Estás a lutar contra os teus medos?
  6. Sabes em que é que te distingues dos demais?
  7. Trabalhas no sentido de potenciar aquilo em que és naturalmente bom?
  8. Tens dado graças por tudo o que tens ou focas-te no lado mau das coisas?
  9. O que tens feito para ajudar os outros? Como podes aumentar de forma exponencial esse teu contributo?
  10. Consegues estar no momento presente e desfrutar, apreciando a jornada enquanto percorres o caminho?
  11. Dedicas tempo de qualidade às pessoas de quem mais gostas?
  12. Poupas o dinheiro que deves poupar?
  13. Sabes quanto dinheiro precisarás de ter acumulado no dia em que deixares de trabalhar?
  14. Tens algum ódio de estimação? Vale mesmo a pena?
  15. És alvo de críticas? Se sim, são justas? Se não, estarás a fazer algo de suficientemente marcante?
  16. Que legado queres deixar?
  17. És um bom exemplo para uma criança?
  18. Desistes quando o trabalho fica realmente difícil e onde acrescenta real valor?
  19. Esta semana meditaste? Estás a fazê-lo de forma disciplinada?
  20. Conseguiste proporcionar contextos de complexidade crescente àqueles que trabalham contigo?
  21. Deste os parabéns merecidos à tua equipa?
  22. Os teus pais têm orgulho na pessoa em que te transformaste? E tu?
  23. Continuas preso aos problemas do passado ou aceitas o que viveste e olhas em frente?
  24. Aprendeste alguma coisa relevante hoje? E ontem?
  25. Ensinaste alguma coisa a alguém?
  26. Se as pessoas de quem mais gostas morressem, o que te restaria?
  27. A morte está mais perto a cada dia. Lembras-te todos os dias que o tempo é o bem mais precioso?
  28. Estás a viver a tua vida ou apenas a fazer aquilo que outros esperam que faças?
  29. Pensas pela tua cabeça ou és um joguete na mão de outros?
  30. Esforças-te para entender a perspetiva do outro ou fechas-te na tua?
  31. Dás contigo a queixares-te e com auto-comiseração?
  32. Quantas pessoas novas e que aportaram algo de positivo conheceste no último mês? Quantas conhecerás no próximo?
  33. Respiras 3 vezes antes de explodires num ataque de fúria?
  34. Ofereces aos outros aquilo que te faz mais falta ou só ofereces aquilo de que não gostas?
  35. Começas cada dia com um sorriso e a vontade de viver um dia inesquecível?
  36. Continuas a ter prazer com o teu trabalho?
  37. Estás a viver de acordo com os teus valores?
  38. Transmites boas vibrações ou afastas os outros?
  39. Quando afastas os outros, será sempre culpa deles?
  40. Medes a tua felicidade pela quantidade de likes nos teus posts?
  41. O que estás a fazer para produzir novas ideias, ideias transformadoras?
  42. Alocas tempo ao que é mais importante ou perdes-te em tarefas infinitas e sem qualquer valor acrescentado?
  43. Se fosse hoje o último dia da tua vida, partirias em paz, com a noção de teres vivido uma vida digna?
  44. Testas coisas novas ou só percorres trilhos já percorridos?
  45. Dizes “não” todas as vezes que devias?
  46. És bem-sucedido? Sentes-te realizado? O que estás a fazer para não seres bem-sucedido e miseravelmente infeliz?
  47. Quando ponderas fazer algo novo e desafiante, pensas no que é o pior que te pode acontecer? É assim tão mau? Justifica não arriscar?
  48. Estás a perseguir coisas realmente grandes ou perdes-te em caminhos pouco mais que irrelevantes?
  49. O Ego é, muitas vezes, o teu maior inimigo. O que estás a fazer para o controlar?
  50. És feliz?

Deixo um abraço de agradecimento por me acompanhares em mais esta volta ao Sol,

 

Hugo Belchior

PS. Há muito pouco tempo conheci a música do Daniel Martin Moore. Pese embora ainda a não ter explorado muito, há uma canção que vem a propósito e que recomendo: Golden Age. Aproveitemos cada Golden Age que vivemos.

Um telefonema pode valer milhares de euros

Há cerca de 2 anos sentia que tinha que aprender mais sobre marketing digital e sentia que tinha que começar a direcionar alguns recursos no sentido de preparar um ajustamento do modelo de negócio da minha empresa de formação, a Bwizer, rumo ao digital.

Sem grande método de pesquisa, ia navegado na Internet e, ao procurar coisas em português, fui naturalmente ter ao Brasil e fui-me apercebendo que estava a emergir (ou tinha emergido não há muito tempo), uma dinâmica muito interessante no mundo do marketing online. No meio desse processo fui entrando em vários funis de venda.

A certa altura deparei com o Congresso de Afiliados (seria a edição 2.0?) e com o Victor Damásio. Como estava no seu funil e fui vendo o conteúdo que ia sendo disponibilizado, comecei a interessar-me mais. Não que me imaginasse a ser um afiliado mas porque o conteúdo do congresso me parecia bem adequado para aquilo que então procurava.

Foi então que, num princípio de noite, já em casa, fui seguindo os passos no sentido de fazer a aquisição do produto. Estava decidido a comprar até que, no momento em que ia pagar e o valor final me apareceu em Euros – mais de €300 – parei! Tinha errado o cálculo do câmbio e esperava não pagar mais de cento e poucos euros e, afinal, o preço era bem superior.

Parei o processo, abandonei o carrinho e fui refletir um pouco mais enquanto jantava.

Passados uns minutos o meu telefone tocou. Era um número não identificado e, apesar de muitas vezes não atender números privados, naquele dia atendi. Do outro lado, surpreendeu-me uma voz brasileira, uma voz que já tinha ouvido:

– Hugo, olá. Daqui é Victor Damásio, do Congresso de Afiliados. Tudo bom?

Estava a achar aquilo um pouco bizarro e lá titubeei um “Olá Victor”. E o Victor continuou:

– Queria apenas que soubesse que, deste lado, está alguém de carne e osso. Não se trata de uma qualquer coisa sem rosto humano. Não; eu estou aqui para o que precisar.

Achei genial mas, ainda lhe disse.

– Mas, Victor, eu não concluí a compra…

Do outro lado, com aquela maneira rápida de falar, mas bem articulada, o Victor respondeu.

– Não tem problema cara. Eu vi aqui uma entrada no carrinho vinda de Portugal e resolvi ligar para agradecer o seu interesse.

Despedimo-nos.

Fiquei uns segundos a pensar que aquilo era um gesto de grande preocupação com um potencial cliente – foi a primeira grande lição que aprendi do Victor e, uns segundos depois, concluía a minha compra do Congresso de Afiliados…

Aquele telefonema foi o clique que precisava para efectuar a minha compra e, depois dessa, fiz várias outras, num total de alguns milhares de euros.

Independentemente do intuito comercial que pudesse existir, o simples facto de alguém se preocupar ao ponto de pegar no telefone e fazer uma chamada, sem sequer tocar no assunto “venda”, apenas transmitindo preocupação com o cliente e conectando com ele, foi poderoso. É poderoso!

E você, faz coisas dessas no seu negócio? Teste e veja o que acontece e diga-me!

Entretanto, o Victor Damásio passou por Portugal e aproveitei para o entrevistar. Foi um momento especial e que resultou em muito conteúdo relevante, que lhe pode ser muito útil, acredito.

Convido-o(a) a ver a entrevista e a dizer-me o que achou.

Thumbnail Victor Damásio.jpg

Um abraço do,

Hugo Belchior

Dancing in the dark e outras boas ideias

Gosto do Bruce Springsteen. E gosto da mítica canção Dancing in the dark. O que não sabia é que se trata de uma canção que retrata a falta de inspiração para…escrever uma canção.

bruce-springsteen

Fui reler o poema:

I get up in the evening
And I ain’t got nothing to say
I come home in the morning
I go to bed feeling the same way
I ain’t nothing but tired
Man I’m just tired and bored with myself
Hey there baby, I could use just a little help

You can’t start a fire
You can’t start a fire without a spark
This gun’s for hire
Even if we’re just dancing in the dark

Message keeps getting clearer
Radio’s on and I’m moving ‘round the place
I check my look in the mirror
I want to change my clothes, my hair, my face
Man I ain’t getting nowhere
I’m just living in a dump like this
There’s something happening somewhere
Baby I just know that there is

You can’t start a fire
You can’t start a fire without a spark
This gun’s for hire
Even if we’re just dancing in the dark

You sit around getting older
There’s a joke here somewhere and it’s on me
I’ll shake this world off my shoulders
Come on baby this laugh’s on me

Stay on the streets of this town
And they’ll be carving you up alright
They say you gotta stay hungry
Hey baby I’m just about starving tonight
I’m dying for some action
I’m sick of sitting ‘round here trying to write this book
I need a love reaction
Come on now baby gimme just one look

You can’t start a fire sitting ‘round crying over a broken heart
This gun’s for hire
Even if we’re just dancing in the dark
You can’t start a fire worrying about your little world falling apart
This gun’s for hire
Even if we’re just dancing in the dark
Even if we’re just dancing in the dark
Even if we’re just dancing in the dark
Even if we’re just dancing in the dark
Hey baby

Estou muito longe de ser músico ou poeta. Mas também às vezes me sinto sem inspiração. Não para compor uma canção mas para desenhar um modelo de negócio, comunicar uma ideia, resolver um problema ou inovar num qualquer aspecto do meu negócio. Ou, apenas, para cumprir aquela tarefa menos sexy que sei que tenho que cumprir e não me apetece…

Talvez tudo o que precise, nesses momentos, seja o que diz o Springsteen, “a spark”, uma faísca que tudo precipite.

O que sei é que essa faísca é mais provável de surgir se trabalhar afincadamente nesse sentido, seja por via da discussão com outras pessoas, de aprender com quem sabe mais, de estudar, de tentar uma e outra vez ou apenas, estando mais atento àquilo que me vai na alma.

E, quem sabe,  mesmo um momento de aparente falta de inspiração não resulta num hit como aconteceu com “Dancing in the dark”!

Votos de muita inspiração,

Hugo Belchior

 

They say you gotta stay hungry
Hey baby I’m just about starving tonight

 

 

Escrevi um livro

De vez em quando gosto de me colocar um obectivo ambicioso, algo diferente do que tenha feito antes.

Desta vez propus-me escrever um livro. Um livro que juntasse dois mundos. O mundo da fisioterapia, mundo onde emergi profissionalmente, e o mundo do empreendedorismo, mundo que abracei há já vários anos.

O meu objectivo inicial era o de poder criar algo que fosse útil para quem quisesse saber algo mais sobre alguns aspectos da criação de negócios e da gestão mas que não tivesse formação de base nestas áreas ou sequer experiência. Pretendia fazer algo muito simples mas com aplicação prática.

À medida que fui escrevendo, porém, fui acrescentando mais temas aos que inicialmente planeara abordar porque me fui entusiasmando com o processo criativo e porque fui sendo desafiado nesse sentido pelas pessoas com quem ia partilhando o manuscrito.

O resultado é um livro que, não explorando cada tema de maneira profunda, toca naqueles que julgo serem mais importantes para quem ambiciona montar o seu negócio e não sabe exactamente que aspectos considerar ou por onde começar. Creio que com a sua leitura poderá ficar com uma ideia mais clara se o caminho do empreendedorismo é o caminho ideal para si e, se for, quais os aspectos críticos do negócio que não pode deixar de planear.

Imagem capa 3d

Esta partilha é feita tendo como plano de fundo a fisioterapia e os fisioterapeutas contudo, em bom rigor, pode ser útil para outras áreas profissionais.

O download da versão digital do livro poderá fazer-se de forma totalmente gratuita em www.fisioterapeutaempreendedor.pt, um site que passarei a actualizar com mais conteúdo útil, desde logo com entrevistas vídeo. Vou começar com entrevistas a algumas pessoas especiais, nomeadamente aquelas cujos casos eu descrevo no livro, num pequeno capítulo destinado a contar histórias de fisioterapeutas empreendedores.

Este foi um projecto desafiante, que exigiu um investimento considerável e que me consumiu mais tempo do que tinha previsto inicialmente. Apesar de tudo isso, se a sua leitura puder contribuir para uma comunidade mais empreendedora e competente e se puder inspirar nem que seja uma só pessoa a lançar o seu negócio próprio, considerarei que valeu a pena.

Este foi o meu primeiro livro – talvez não seja o último –  e, se fosse começar agora, há já coisas que faria de maneira diferente contudo, se decidisse apresentá-lo apenas quando o considerasse perfeito, o mais provável é que nunca o apresentaria.

Deixei de ter medo de partilhar coisas que não estão totalmente acabadas até porque a vida, ela própria, é uma viagem em permanente construção. Esta viagem deu-me muito prazer percorrer. Espero que também a si lhe dê prazer ler.

Fico a contar com a sua visita a www.fisioterapeutaempreendedor.pt onde poderá descarregar o livro “Como ser um fisioterapeuta empreendedor: dicas para lançar o seu negócio“. Aguardo pelo seu feedback para que a próxima edição possa ser ainda melhor e mais útil.

 

Um abraço do,

Hugo Belchior

PS. o livro só será lançado no dia 8 de Setembro, Dia Mundial da Fisioterapia contudo, já pode fazer o seu registo no site; receberá depois o livro no seu email.

 

Atingir metas vs Realização pessoal

Acredito no valor das metas e dos objectivos. Faróis que guiem as nossas acções e canalizem a nossa energia. O problema é se atingimos as nossas metas e os nossos objectivos mas, sem realização pessoal. É que uma coisa não está obrigatoriamente ligada à outra. Procuro alinhar cada vez mais as duas coisas. Isso implica saber o que me realiza e, depois, transformar esse caminho em objectivos e metas. É um processo sempre inacabado mas um processo que, só por si, já é útil.Realização

A Evolução começa em nós: a lição da vitória no Campeonato da Europa de Futebol

A assinatura da Bwizer, Your Evolution, traduz bem aquela que é a nossa missão: contribuir para a evolução dos nossos clientes.

E se nós contribuímos para a evolução de milhares de clientes – que ao comprarem os nossos produtos validam a razão de existirmos – temos que garantir que essa evolução ocorre também dentro de nossa casa. Se uma empresa não promove a evolução dos seus colaboradores, com novos e redobrados desafios, se não aposta no aumento do seu conhecimento, se não sugere o esforço individual, se não tem forma de premiar o mérito, acredito que está condenada; é uma questão de tempo. Só evoluindo internamente se poderá evoluir nos resultados que se veem de fora.

Esta reflexão vem também a propósito da vitória de Portugal no Campeonato de Futebol de 2016 – e que alegria imensa me proporcionou! – já que me parece que também aqui houve uma clara aposta na evolução interna, que esteve na base do resultado que obtivemos.

Pouco sei de táctica pelo que me absterei de tecer qualquer comentário sobre isso. Focar-me-ei noutro ponto: no trabalho mental.

Já se sabe que o futebol é um desporto que tem uma dose não desprezível de jogo de sorte, uma vez que com vitórias construídas com tão poucos golos, qualquer acaso que leve a um, muda completamente o resultado e, com isso, a análise do que esteve na sua base. (Essa “aleatoriedade” é, aliás, o que torna o jogo tão emotivo)

De todo o modo, ligando os pontos olhando para trás, e partindo da vitória na final de ontem, parece haver um conjunto de coisas que nada tiveram de aleatório e que poderão ter sido determinantes. Refiro-me ao treino mental, que injectou doses massivas de confiança e de crer que, na hora da verdade, aliado a alguma maior frescura física no prolongamento, penso poderem ter sido os ingredientes que nos fizeram gritar de alegria com o inesperado (?) golo do Éder.

Citação YourEvolution Bwizer

Reparemos:

  1. no fim do seu jogo inaugural como seleccionador, precisamente contra a França, após a derrota por 1-2, terá dito aos seus jogadores que ali regressariam 2 anos depois, para serem campeões;
  2. partimos para o torneio assumindo o desejo de o vencer, ao contrário da postura – conservadora – que sempre se costumava adoptar nestas circunstâncias;
  3. já durante o campeonato, quando muitos duvidavam do trajecto da selecção, Fernando Santos assumiu com valentia que só tencionava regressar a casa no dia 11 (e ainda assumia que o Cristiano Ronaldo haveria de bater o próximo penalty que houvesse e que o converteria – ele que tinha falhado um contra a Áustria);
  4. há 4 semanas, o seleccionador escreveu uma carta para si próprio – que só ontem foi revelada – celebrando a vitória que aí visualizava;
  5. o trabalho motivacional de Cristiano Ronaldo junto ao João Moutinho, antes dos penáltis contra a Polónia;
  6. o referido treino mental de Éder

Não pode ser só coincidência. Há aqui um treino concertado e pensado, que ajuda os atletas a transcenderam-se e a ajudarem os companheiros a transcender-se.

O mindset não é tudo mas que é uma componente importante, isso é. Talvez a componente que Fernando Santos conseguiu trabalhar como ninguém antes e que, associado a uma gestão muito pragmática das forças e fraquezas do grupo de atletas que tinha, permitiu um trabalho eficaz e com o desfecho mágico – pelo menos para os portugueses – que todos conhecemos.

Isto não pode também dissociar-se do trabalho geral que está a ser feito na Federação, com profissionalismo e resultados excelentes em vários escalões.

A Your Evolution começa dentro de portas e parece-me que a nossa selecção é um excelente exemplo do que é fazer um trabalho interno competente, consciente e profissional. Repliquemo-lo noutras dimensões e poderemos, todos, chegar bem mais longe.

35ª Volta ao Sol

35.

Faço 35 anos e lembro-me dos meus 15, altura em que recordo ter começado a ganhar percepção de mim como um ser com consciência plena. E recordo os 20, idade com que comecei a trabalhar. Recordo os 25, quando iniciei a minha vida empresarial. Lembro-me dos 28, onde senti começar a ganhar uma respeitabilidade diferente. Não me lembro da passagem dos 30; não me marcou nada. Lembro-me dos 33, quando as coisas parece que começaram a encarreirar. Hoje, completo 35.

Não há muito tempo, consideraria alguém desta idade, se não um velho, no mínimo alguém de uma geração bem longínqua. E, de repente, sou eu que cá estou.

HUGO35

Já pensaste no que se pode fazer numa viagem de 35 anos?

Com 35 tens talvez memória dos teus pais com a tua idade actual.

Já pudeste fazer vários amigos ao longo de fases diferentes, mas guardar sempre aqueles 3 ou 4 realmente verdadeiros, aqueles que testemunham a tua vida e lhe dão mais sentido. Ao longo de 35 anos já tiveste tempo para ir afinando o teu lugar no mundo, ajustando aquilo que fazes àquilo que queres fazer. Talvez não.

Já tiveste o tempo suficiente para ter iniciado uma carreira e até de ter mudado mais que uma vez. Talvez ainda não tenhas começado nenhuma e dás-te conta que há pessoas da tua idade com 15 anos de avanço. Ou, se calhar, o avanço é teu, que escolheste um caminho diferente.

Se fores trabalhador, já trabalhaste milhares de horas. Se tudo correr bem, já começaste a ver os frutos desse trabalho.

  1. É tempo suficiente para conhecer várias mulheres. Ou homens. Para amar, ser amado, sofrer, magoar. Muitas vezes ou talvez só uma. Sorris ao lembrar algumas histórias e coras a pensar noutras.

Com 35 anos talvez já tenhas viajado. Pouco ou muito, já concluíste que com o tempo que te resta e com tudo que tens para fazer, será impossível ver tudo o que gostarias.

Aos 35 anos a percepção do tempo é agora de uma forte voragem, deixando há muito para trás a sensação de tempo que não passa. A rapidez do tempo traz já alguma angústia e obriga-te a decisões mais conscientes.

Aos 35 poderás já conhecer melhor os teus defeitos. E, alguns, teimosamente, insistem em por cá ficar. Vais tendo alguma noção daquilo em que és melhor do que a média e, lamentavelmente, é em tão poucas coisas que fica claro que morrerás um dia como um ser brutalmente imperfeito.

Com 35, grande parte dos teus amigos estarão casados. Ou estiveram. E tu? Têm filhos. Pensas nos filhos que não tens, se os não tens. Pensas se gostarias de os ter. Se não serás demasiado egoísta para isso. Se o teu legado passará por aí.

Que legado queres deixar?

Aos 35 tens talvez dinheiro suficiente para algumas decisões mais livres ou então, estás enterrado em compromissos financeiros e essa liberdade é bem menor do que gostarias porque, afinal, também tu te deixaste aprisionar na jaula do crédito.

Tens seguramente forma de ainda mudar uma série de coisas mas sabes que já não tens o mesmo tempo que tinhas quando tinhas 23.

Aos 35 anos já viste partir pessoas de quem gostavas. Alguns, porque foram envelhecendo outros, mais dolorosos, da tua idade ou até mais novos. Ficarão para sempre jovens, e sabes que tudo é fugaz e efémero. E bonito.

Com 35 já coleccionaste alguns ódios de estimação. E talvez tenhas os teus. Terás também os teus admiradores e alguns nem os conhecerás.

Ao 35 já foste injustiçado várias vezes. E foste injusto outras tantas. Aos 35 ainda tens energia juvenil mas o custo de uma noite longa é maior do que imaginavas tão somente há uns anos atrás, e pensas 3 vezes antes de uma noite de copos porque a recuperação tem um custo demasiado alto.

Aos 35 pensas estar relativamente à vontade com a tecnologia e depois olhas para a tua sobrinha de 4 anos e ficas espantado com aquele dedo digital e não tens dúvidas que rapidamente saberá mais do que tu.

Estarás no auge das tuas capacidades mas aparecem alguns miúdos de 20 anos – até já topaste um ou dois – mais espertos do que tu e que, se calhar, ainda vão ser os teus chefes.

Já sabes o suficiente para saber que há “amigos” que se aproximam de ti não pelo que és mas pelo que crêem poderes proporcionar. Ficas mais desconfiado. Espero que mais confiante, também.

Poderás ter as tuas cicatrizes e essas cicatrizes poderão ter-se transformado em adoráveis marcas distintivas ou então, em carapaças rabugentas. A escolha é tua, até porque já não tens idade para dizer que, quando bates com a cabeça na porta, a culpa foi da porta.

Aos 35 começas a ver os 40 a espreitar e pensas que, pelo menos até aos 50 ainda tudo estará bem. Temes que possa não ser assim.

Aos 35, a tua família alargada talvez comece a ter uma nova geração. Os teus primos, compinchas de brincadeiras parvas, afinal também cresceram. Voltam as crianças aos Natais. Outra geração começa a desaparecer e és confrontado com a violência do envelhecimento e da cruel perda de capacidades que traz.

Com 35 já choraste e já riste. Talvez tenhas chorado mais e rido menos. Talvez o contrário.

És, em grande parte, responsável pela forma como queres gerir as vitórias e as derrotas e, mesmo que queiras negá-lo – poderás achar que é mais fácil – sabes que é verdade. Poderás saber que não queres passar a vida preso no “vale das (auto) desculpas” mas dás-te conta que, volta e meia, andas a passear por lá.

Aos 35 já conheceste muitos escroques. E conheceste alguns heróis. Daqueles heróis a sério, que ninguém valoriza. Aqueles que, de alguma maneira, abdicaram do egoísmo hedonista de viver a “sua” vida, para se entregarem a cuidar de alguém mais frágil. Ou aqueles que mantêm sempre um doce sorriso apesar das amarguras cruéis da sua vida.

Afinal, a tua vida não é assim tão complicada.

Com 35 já tomaste decisões difíceis. Numas, acertaste. Noutras, não. Aprendeste sempre, se tiveres sido inteligente. Nem sempre foste.

Encontras de vez em quando colegas da escola e fica claro que as vidas divergiram de forma incrível mas que aqueles laços adolescentes ficam para sempre. Pelo menos enquanto recordam o passado.

Se tens 35 anos tens fotografias velhas em casa, das verdadeiras, talvez um pouco carcomidas pelo tempo e sorris a ver as roupas largas que a tua mãe te comprava e a constatar que os natais não eram ainda uma luxúria de brinquedos. Luxúria de que terias gostado na altura.

Com 35 ainda poderás ter ainda a ilusão de um corpo de atleta e talvez até o tenhas, mas também constatas que a biologia é como é, e que talvez tenhas que admitir que nunca vais ser tão bonito ou elegante como sonhavas aos 17. Ou talvez tenhas mais charme do que nunca.

Com 35, terás vivido pouco menos do que metade da tua vida estatística. Mas sabes que a estatística pode ser uma merda e que podes já ter vivido 80%. Ou até 90.

A tua vida profissional mais produtiva só terá mais 15 anos. Talvez 20. Mesmo que sejam 25, já percebeste que isso passa num instante. Poderás, ainda assim, estar a adorar o teu trabalho e viver cada dia com genuíno prazer mesmo que sabendo que o relógio não pára, até porque já sabes que um prazer não deixa de ser um prazer só porque não é um prazer para sempre.

Aos 35 anos já sabes que as coisas são mais bonitas se partilhadas. Poderás ter ou não com quem as partilhar.

Poderás morrer amanhã, ou até hoje, e sabes que isso será uma pena porque há tanto por viver mas, se isso acontecer, o teu último pensamento será de que já valeu tanto, mas tanto, a pena!

 

Obrigado por me acompanhares em mais uma volta ao Sol.

 

Hugo Belchior

Ainda aprende à moda antiga?

Se acha que o único caminho de sucesso ainda é o de entrar numa universidade reputada para, com isso, se tornar num activo mais interessante para as empresas que o possam vir a contratar, talvez esteja a pensar mal.

Não discuto o valor que isso possa ainda ter, aqui e ali, sobretudo numa ou noutra área mas, definitivamente, no grande sistema mundial, isso é cada vez menos o principal factor distintivo entre as pessoas. E a razão é que o conhecimento é cada vez mais uma commodity e, como sabemos, nestes casos o factor distintivo tende a ser o preço.

Ora, se não quer que o factor que o diferencia seja o preço (mais baixo), o seu caminho tem que ser o da diferenciação.

Stop-Stealing-Dreams-Seth

Está claro que o conhecimento é um desse factores de diferenciação. A questão é que já não tem que ir para uma universidade para o adquirir. As fontes onde o pode ir beber são cada vez mais diversas e até, cada vez mais baratas. A Bwizer tem procurado aproveitar esta tendência do mercado (e creio que relativamente bem) mas temos noção que se trata de um mercado a mudar a um ritmo demasiadamente elevado para nos deixarmos adormecer à sombra do modelo de negócio actual.

O conteúdo Web, de qualidade e muitas vezes gratuito, converteu-se no nosso grande concorrente. E é também por isso que estamos cada vez mais a apostar em conteúdo Web, relevante e, tantas vezes, gratuito. É um caminho caro, difícil e incerto mas, a incerteza de nos mantermos cristalizados a fazer aquilo que foi um modelo de sucesso na década de 10 deste século, é pedir problemas.

Seja como for, o que me parece indiscutível é que a forma como as pessoas estão a aprender está a mudar e que o valor dos caminhos tradicionais, muito formatados e standardizados, está em queda abrupta um pouco por todo o mundo. Pense nisto. Para si, e para os seus filhos (actuais ou futuros). Talvez tenha que se ir habituando à ideia de que o caminho de êxito que perspectivava para o seu filho tem que ser considerado com condicionantes diferentes daqueles com que projectou o seu próprio caminho, não tendo que passar por uma Universidade reputada, antes dando-lhe respostas ágeis às dúvidas que possa ter e ao conjunto de interesses específicos que demonstre.

Quero marcar golos

De vez em quando é preciso agitar as águas e tentar caminhos novos. Sobretudo quando os caminhos que vamos percorrendo já são demasiado confortáveis.

Decidi começar o meu primeiro negócio próprio aos 25 anos, no final de 2006. Fará 10 anos este ano, portanto.

Das 3 empresas que criei, duas sobrevivem e são financeiramente sólidas. A Bwizer, aquela que será mais conhecida, tem crescido as suas vendas todos os anos. Pelo meio, tornou-se uma marca conhecida e, até, líder de mercado na área da formação avançada para fisioterapeutas, tendo ainda uma quota crescente a nível do desporto, apenas para me focar na segunda área mas relevante. Impactamos a vida de milhares de pessoas todos os anos e, não duvido, contribuímos para aumentar as competências dos profissionais que nos procuram e, com isso, ajudamo-los a levarem o seu sucesso a novos patamares.

Tenho orgulho no trabalho que temos feito. Mas quero mais.

Quero pôr-nos ainda mais à prova. Quero desafiar-me pessoalmente. Quero evitar a arrogância de quem vai atingindo metas meritórias e que se satisfaz com isso. Quero inovar em vez de esperar por ver o nosso modelo de negócio tornar-se obsoleto e a empresa morrer. Quero estugar mais o passo face àquilo que a concorrência faz. Quero manter a intranquilidade de novos desafios, evitando o doce marasmo do caminho já conhecido.

Isto só será possível se, entre outras coisas, mantivermos o nosso enfoque nos clientes. Naquilo que lhes interessa e os faz evoluir. É a missão da Bwizer, uma missão que, de alguma forma, se confunde um pouco com a minha própria missão: manter um caminho de evolução enquanto promovo a evolução dos outros.

É este o enquadramento de uma nova aposta da Bwizer: o FUTEBOL.

O futebol? Sim, o futebol!

O futebol, apesar de todas as suas idiossincrasias, é um área como as outras. Uma área onde cada um tem que lutar pelo seu lugar. Uma área em que quem mais sabe mais probabilidades tem de ser bem sucedido. Uma área em que quem relaxa à sombra de sucessos passados, está condenado ao insucesso futuro.

Para além disto, há hoje no futebol português um activo extraordinário: o conhecimento de muitas pessoas (e instituições) que sabem imenso de aspectos diferentes deste desporto. Conhecimento esse, quantas vezes, desaproveitado. Conhecimento que urge transformar em produto e, com isso, contribuir para o desenvolvimento desta disciplina fantástica na qual Portugal pode, inclusivamente, ter um papel de desproporcionado relevo a nível internacional.

Com este espírito em mente decidimos lançar um novo projecto. Um projecto centrado no conhecimento. Em conhecimento que transforma. Um projecto inovador. Um projecto 100% online: o Congresso Online de Futebol.

Trata-se de uma excelente oportunidade para aprender mais sobre diferentes aspectos do futebol. Táctica, treino físico, medicina desportiva, fisioterapia, nutrição, psicologia e desenvolvimento de talento, são apenas alguns dos temas que serão abordados por um conjunto de palestrantes que não defraudarão. Pessoas com experiência no terreno e pessoas com experiência académica juntaram-se para contribuir assim para a evolução dos actores do futebol, desde logo os treinadores.

É algo que nunca tínhamos feito. Mas é algo que já está a valer a pena, tal o leque de pessoas que tenho tido o prazer de conhecer. Pessoas que me reforçam a ideia de que há gente excelente no futebol e gente com muito para partilhar.

Disse no início deste texto que, às vezes, é preciso desafiarmo-nos a coisas novas. Que o conforto do caminho percorrido não nos deve tolher a vontade de novos empreendimentos. Pois bem, este Congresso Online de Futebol, a que o convido a assistir gratuitamente (basta deixar o seu email na página do evento), é apenas a expressão mais visível de um novo desafio. Um dos vários a que me propus dedicar neste novo ano. Um ano que decidi que será um ano memorável. E uma das memórias que quero levar serão alguns golos, ainda que virtuais, a começar pelo Congresso Online de Futebol.

Vem comigo?