Varredor de ruas

Há já largos meses me tinha chamado a atenção a forma de trabalhar do varredor da zona onde moro.

Muito cedo, pouco depois das 7 da manhã, era frequente vê-lo já a trabalhar. À tarde, lá estava ele, noutra rua. No inverno, com chuva e frio. No verão, com sol e calor. E sempre, sempre, com a mesma energia. A mesma frenética dedicação. Dei comigo admirando o profissionalismo daquele jovem indivíduo.

Decidi que um dia que nos cruzássemos a pé, lhe diria que tinha reparado no seu trabalho e que o admirava.

Os meses foram passando e, quando passava por ele, ia de carro. Ainda pensei em parar algumas vezes mas nunca o fiz. Acho que, arrogantemente, não queria correr o risco de ficar desiludido. Afinal, não o conhecia de lado nenhum.

Mas, hoje, à hora de almoço, ao estacionar em frente a casa, carro com A/C no frio máximo, eis que o vejo do outro lado da rua.

Fui ter com ele. Suava em bica. O calor era infernal.

Cumprimentei-o e começámos a falar. Perguntei-lhe a que horas começava a trabalhar, à guisa de ice-breaker, e disse-lhe que admirava o seu trabalho porque, estivesse frio ou calor, chovesse ou fizesse Sol, o via sempre com o mesmo empenho e dedicação quando, em bom rigor, se trabalhasse com menos ritmo, certamente ninguém se preocuparia em demasia.

Com o elogio devolveu-me um sorriso e resumiu toda a razão da sua dedicação com um singelo: “É preciso ter gosto no que se faz”.

Falámos um pouco mais e ele, orgulhoso, disse-me que não era a primeira pessoa que o elogiava, que lhe tinham dito algumas vezes que nunca as ruas tinham estado tão limpas – o que confirmo – e que ele o fazia assim porque era “perfeccionista”; que gostava de fazer as coisas bem feitas.

Explicou-me o seu conceito de brio apontando para uns enormes eucaliptos a 30 m de distância, dizendo que naquela zona, o fim de uma rua sem saída, sempre cheio de folhas, chegava a apanhar folha a folha do chão, para tudo ficar perfeito.

Dei-lhe uma vez mais os parabéns pelo bom trabalho, cumprimentei-o e entrei em casa.

Entrei em casa e continuava a pensar no varredor e decidi que o seu brio devia ser celebrado. Pensei que merecia uma entrada neste blog – a minha homenagem singela – e voltei a sair de casa.

Estava precisamente ao lado dos tais eucaliptos, metido no seu trabalho como sempre.

Ficou meio surpreendido quando me voltou a ver, e mais supreendido ficou quando lhe disse que achava o seu exemplo tão relevante – a maioria das pessoas no seu lugar, com o seu ordenado e com a dureza da tarefa, certamente se contentaria em fazer um trabalho menor – que o queria relatar no meu blog. Sorriu de novo. Perguntei-lhe se podíamos tirar uma foto e simpaticamente autorizou.

Marco - Varredor de Ruas

Continuámos a falar. Tem 28 anos – parece mais velho, que o Sol e o frio não perdoam – trabalha como varredor há 8. Veio destacado de outra zona porque mais nenhum colega estava a conseguir varrer todas aquelas ruas no tempo definido. Como a tarefa estava a ser impossível, o chefe desafiou-o a ele. E ele, deu conta do recado!

Perguntei-lhe se já tinha sido premiado por isso. “Pagar mais não pagam. Mas dão-me uns serviços extra. E isso dá-me mais um dinheiro importante no fim do mês.” E quando entrou na empresa, rapidamente passou aos quadros – nem sequer fez todo o trajecto que os outros fazem – porque gostaram logo do seu trabalho.

Disse-me ainda que antes de começar naquele trabalho já tinha passado por várias “artes” e que fazia qualquer coisa que precisasse de ser feita. E ele até tinha formação em informática mas, curiosamente, nunca tinha trabalhado naquela área.

Se queria mudar? Não, para já estava bem. Eram certos a pagar, estava efectivo e gostava do que fazia. E no final do mês, com todos os extra, já ganhava um ordenado simpático – o número final surpreendeu-me pela positiva.

Disse-me tudo isto sempre com um sorriso. E agora, enquanto escrevo estas linhas, sentado a uma secretária, ar condicionado ligado, garrafa de água ao lado, lembro-me das palavras sábias do varredor: “É preciso ter gosto no que se faz.”

Do que consigo ver – o resultado do seu trabalho – não duvido que é um excelente profissional. Um profissional que vai para além daquilo que são os mínimos. E que, indiscutivelmente, coloca paixão no que faz.

O varredor chama-se Marco. Amanhã estará certamente no seu posto de trabalho às 7 horas da manhã com vontade de deixar o seu rasto, limpando o rasto de outros. O Marco é varredor e, hoje, deu-me uma lição.

PS. Junto esta informação 40.000 visualizações depois! Muitas pessoas têm perguntado onde trabalha o Marco Monteiro. Trabalha na zona de Leça do Balio (Santana), através da empresa VerdeVista.

0 comentários em “Varredor de ruas”

    1. Gostei de ler! Há tantos e na minha rua aqui em Oeiras todos os dias vejo um senhor com o seu carrinho e instrumentos a fazer o serviço. Todos o conhecem e está sempre a cantar. É de louvar e o que nos admira a todos e que ele a todos nos conhece.

  1. Obrigado por este magnífico testemunho.
    A felicidade o que é?
    Ser útil! Não mais que isso…
    Ser feliz é ser útil !
    Triste é pensar que a realização profissional pode ser mais que isso…

  2. Ao ler esta entrada neste blog, lembra-me sempre de uma máxima que costumo utilizar amiúde, e relembrou-me como tenho razão.
    Há gente que não tem formação (e não falo só da formação académica) nem para varredor de ruas, tendo em conta que muitos varredores tem mais formação (incluído a académica e profissional e até mesmo humana) do que muitas pessoas que por ai andam em diferentes ramos e profissões…
    Não me apetece elaborar mais…
    Não é meu hábito comentar “blogues”… mas, parabéns pelo texto.

      1. Pensei o mesmo que a Natalia. A dignidade e o caracter de uma pessoa nao se ve pela sua profissao, mas sim pela sua forma de estar e ser. O sr. Jose Silva demonstrou com esse comentario ser uma dessas pessoas com pouca formacao ou nenhuma por “menuspresar” uma profissao que nao e menos digna que qualquer outra.
        Talvez deveria ler mais “blogues” como este para se formar melhor!!

  3. Fabuloso muito obrigado por nos relatar a historia do Marco,infelizmente ha muito poucos como ele,tambem e certo que pode haver mais alguns mas que nao os conhecemos ou ninguem repara e agradece como o sr fez mais uma vez o meu muito obrigado desejando desde ja as maiores felecidades para os dois.maria costa

  4. O MARCO é um varredor, É UM DOUTOR na profissão, é o profissional que não deixa os outros doutores pisarem o lixo, é o DOUTOR que trata do bem estar de cada um de nós e que ajuda na limpeza de muitas mentes por este mundo fora. O MARCO tem a profissão que se assemelha ao inicio da vida talhando vias e caminhos com principio, meio e fim. O texto é muito bom, mas o MARCO é muito melhor!

      1. parabéns por partilhar essa historia com a gente são pessoas assim que nossa nação precisa eu tenho encontrado muitos marcos nessa vida e para esses marcos eu tiro meu chapel.

  5. O varredor é de facto um bom exemplo de profissionalismo e dedicação. Deixa um rasto positivo à sua passagem. O país precisa de mais trabalhadores assim. Mas o seu AC por outro lado está a contribuir para o aumento do buraco na camada de ozono. Pense nisso da próxoma vez que o ligar no máximo.
    Cumprimentos.

  6. É sem dúvida um testemunho de vida tal como ela deve ser vivida, para atingirmos a perfeição. Normalmente as pessoas independentemente da sua classe social, olham para os “inferiores”, uns do alto da sua cátedra, outros do alto da sua arrogância, com um misto de desprezo e de falta de humildade… esquecendo-se que somos todos iguais na essência!

  7. Eu vejo aqui duas lições diferentes
    Primeiro que o trabalho não qualificado bem frito é menos recopemnsado que o o trabalho qualificado
    Segunfo que hoje em dia ter um trabalho em que se é pago já é bom…

  8. Parabéns pelo bom exemplo, Marco.. Seria tão bom que existissem mais “Marcos” assim.. em todos os setores.. E parabéns a si também, Hugo.. Pela atitude e reconhecimento pelo trabalho dos outros.. seja ele qual for.. Há palavras e atitudes que nos conseguem reconfortar mais do que um bem material.. (se é que me fiz entender..

    Deixo aqui a minha admiração.. pelo dois…. 🙂

  9. Ate que enfim que alguem reparou no duro trabalho que faz o Marco alguem valorisou o seu esforco quotidiano infelizmente hoje ninguem da valor a um varredor de ruas ou alguem que limpa escadas como eu. Um abraco para os dois e muito obrigado pelo seu artigo felicidades.

  10. adorei ler este texto que mexe com o coração .. São as pessoas assim que fazem a simplicidade e onestidade num sentimento forte e inexplicável … É lindo quando passamos por pessoas que fazem trabalhos duros e que mantém o sorriso sempre presente .. Pois ” temos de gostar da área que executamos todos os dias ” só assim é possível tornar o frio , calor e obstáculos difíceis a serem ultrapassados .. Axo que este tipo de funcionários também deviam ter uma recompensa e serem reconhecidos … Se todos em Portugal fossem como este grande homem o país não estava na situação que está … Grande profissional continuação e um grande abraço Miguel Nunes

      1. Conheci o Sr.Marco quando ele tratava das ruas em S. Mamede Infesta. Entretanto deixei de o ver por cá. Confirmo o empenho e dedicação, bem como a simpatia.

  11. Parabéns Hugo Belchior pelo excelente texto e por ter reparado no profissionalismo do Marco. Geralmente só sabemos criticar e muito poucas vezes sabemos elogiar. Parabéns Marco, penso como você, fazer bem feito logo da primeira vez. A sua atitude será um exemplo. Obrigada.

  12. Gostei do que li, da humildade dos dois, realmente é importante divulgarmos o bom que temos, e em Portugal existem muitos exemplos. Saber desenvolver o gosto pelo que se faz e faze-lo bem feito é de gente sábia e para isso não é necessário os graus académicos mas boa formação pessoal. Obrigado pela reflexão que me levou a fazer. 🙂

  13. Se todos tentássemos ser o Marco a cada dia que o sol brilha, Portugal estaria cheinho de bons exemplos, começando pelo topo da hierarquia. Cabe a cada um, tentar ser melhor. Acreditar que também tem um Marco dentro de si.
    Elogiar,reconhecer quem merece é de igual valor porque nos dias que correm, as pessoas correm literalmente, esquecendo se que poderá haver ao seu lado mais um Marco! 🙂

  14. se quer ter um funcionário satisfeito, gratifique-o com dinheiro, não folgas ou mais horas extras isso que tem que entrar na cabeças dos patrões e não esses regimes de semi escravidão que os trabalhadores são submetidos, o que falta e mais fiscalização para acabar com isso, existem muitos marcos por ai, mas com o tempo e a falta de reconhecimento eles vão desistindo pelo caminho.

  15. Acredito tambem que existem muitos MARCOS, mas infelizmente passam despercebidos.
    Bonito testemunho. Mas garanto que o Marco tem razao o importante é gostar do trabalho que faz. Se Te Sentires Util es Feliz.

  16. Parabéns Hugo. São trabalhadores destes que o nosso país precisa, nomeadamente aqueles que exercem a sua profissão à frente de balcões de atendimento ao público, como Repartições de Finanças, Câmaras Municipais, estações de CTT, IMT e afins.
    Parabéns pelo texto e um abraço..

  17. Comovente o seu texto pelo seu conteúdo. Parabéns por homenagear um “varredor de ruas” pode incentivar ” quem faz do “subsídio de desemprego” uma profissão. Concordo e sempre que possível passo a mensagem de que o que quer que façamos na vida que seja sempre bem feito com dedicação e profissionalismo só assim poderemos subir os degraus do sucesso.

  18. Muitos Parabéns pelo testemunho. Existe um livro que se chama ‘O líder sem título’ do Robin Dharma. Este testemunho fez me lembrar a parábola do livro aplicado à vida real.. É inspirador..

  19. Há ainda muitas outras coisas que podem ser feitas para premiar o trabalho do Marco. Eu sei que ele é pago pela empresa, e pelo que disse chega ao fim do mês com um ordenado que considerou simpático. Mas esse ordenado é fruto do trabalho duro, do normal e dos extras. Mas e que tal os moradores das ruas onde o Marco trabalha se juntarem para lhe darem um extra no ordenado? E não teria que ser todos os meses, mas o que são 5€ ao final do mês por terem as ruas impecavelmente limpas? Para o Marco seria uma valorização material do seu trabalho.

    Quem me dera ter quem tratasse da limpeza da minha rua, nem que fosse uma vez por mês.

  20. Maravilhoso !!! Com o devido respeito pelo autor (e pelo visado descrito) partilhei em rede social !! Bem haja, Hugo, pela solidariedade !!!!

  21. Parabéns, senhor Hugo , pelo seu alerta sobre este Marco que nas ruas das nossas cidades, vilas , e .. ganha o pão com muita honestidade ,conjuntamente com muitos outros Marcos que envergonham muitos marqueses da nossa praça. G.P.

  22. Fiquei sensibilizado com a historia do Marco. Não sei se pelo brio e pela lição que o Marco lhe proporcionou, se pela capacidade do Hugo em olhar á sua volta e VER! Bem haja aos dois.

  23. Uau.. quando cliquei neste post que por acaso apareceu na minha timeline, por um like de alguém, não contava com uma mensagem que me dissesse tanto neste momento.
    Agradeço por partilhar essa lição, eu precisava ler algo assim hoje, em específico. Acho que vou aprender muito por aqui.
    Muito obrigada Hugo, através de si ou das histórias de outros, por conseguir fazer mudanças significativas, mesmo que as vezes nem se dê conta disso.

  24. Deixo aqui o meu reconhecimento ao Hugo, pelo lindo e simpático texto que me proporcionou ler, aprendi, (68 anos). Ao Marco não me atrevo a elogiar, pois tudo que aqui escrevesse seria decerto pouco, cabe-me no entanto PEDIR que façam chegar PF, á Empresa Verdevista de Matosinhos, este grande exemplo…

  25. Ainda neste feriado passei por ele na Rua de Santana e lá estava concentrado no seu trabalho e a deixar toda a rua com uma limpeza que dá mesmo gosto. Já tive a oportunidade de lhe dar também os parabéns pessoalmente. Obrigada Hugo pela divulgação, estas pessoas merecem mesmo.
    Obrigada Marco pela lição de vida!!!

  26. Será que todo o ser humano,minimamente humano, tem a capacidade de observação que o sr.Hugo?
    só tenho a dizer muitos parabéns a esse jovem fantástico e ao sr.Hugo Belchior pela máxima consideração que demonstrou.

  27. É fantástico testemunhar que existem pessoas bonitas como vós!
    O Sr Marco porque é de facto digno de um enorme apreço pela dedicação e pela forma como dignifica a sua pessoa e a sua profissão em cada dia da sua vida. Tão novo, 28 anos, tão seguro de si!
    O Sr Hugo, porque tem a sensibilidade, como ser humano que é, de observar quem o rodeia, de igual para igual. Olhou com olhos de ver, observou, refletiu e aproximou-se para um abraço em jeito de condecoração!
    Bem Hajam! Parabéns

  28. Parabéns porque reparou em alguém que “trabalha” para nós e que passam despercebidos a toda a gente. Eu todos os dias passo pela senhora que varre a rua ao pé da minha casa e dou-lhe bom dia. E digo isto porquê , porque as primeiras vezes que comecei a passar pela senhora e cumprimentei ela não me respondia, talvez pensasse será para mim? reparou em mim? ao fim de meia dúzia de dias começou a responder, porque realmente viu que era para ela, porque não havia mais ninguém ao pé de nós.
    Por isso Hugo fiquei contente ao ler o seu testemunho , porque reparou em alguém (como eu reparei) que nos é tão útil, que neste caso faz o que gosta , e que sem pessoas como ele o que seria da limpeza das nossas ruas.
    E este Marco faz-me lembrar um jovem aqui da minha cidade (Póvoa de Varzim) , que quando andava na escola primária e lhe perguntassem o que queria ser quando fosse grande , ele respondia: trabalhar nos camiões do lixo (fazer recolha) . O que é certo é vê-lo hoje feliz a fazer aquilo que gosta e com muita dedicação.
    Bem haja Hugo pelo testemunho e que o Marco continue feliz.

  29. Li o texto do Hugo, por acaso, mas ainda bem! Felicito-o pelo que escreveu. Ao Marco, e a todos os Marcos que, anonimamente, vão dignificando as suas profissões por este país fora, e quase sempre, sem o reconhecimento que merecem, deixo a minha admiração e gratidão pela lição de dignidade e dedicação ao trabalho que fazem. De facto, é muito importante gostar do que se faz, mas ser reconhecido por isso é altamente reconfortante! Depois de ter visto algumas condecorações do dia de ontem (10 de junho) fico sem jeito para continuar a falar sem dizer disparates. Obrigado a ambos.

  30. As vezes encontramos força nessas pessoas, exemplos.. obrigada por este texto! Nao tiro o sorriso da cara e é assim que vou encarar o meu dia amanhã!! 😆

  31. Sem dúvida é um exemplo, de como o ter gosto e orgulho no que faz… Tem toda a diferença.
    Pergunto quantos de nós, já fomos a uma repartição pública e fomos atendidos por favor!
    Acho que alguns deviam fazer um estágio com o Marco.
    Parabéns e ainda bem que existem profissionais como tu.

  32. É verdade sim é preciso fazer com gosto. Pois eu tambem varredor de ruas mas com a diferença de trabalhar numa junta de freguesia BARREIRO sei dar devido valor. E acreditem que não é fácil, frio, chuva, sol e vento juntando a falta de civismo e educação por parte dos munícipes… Hoje para muitos o que ai e tal pouco fazem e o querer ser perfeccionista, ate os ecopontos cheguei a mover para que ficasse um trabalho digno de se ver. Estou com a coluna cervical e lombar estragada, em casa de baixa. E sim para nós é muito importante o OLÁ BOM DIA, COMO VAI, PARABÉNS PELO SEU TRABALHO. Ouvir estas palavras sao meio dia bem passado… Parabéns pelo teu trabalho e ao sr dou os parabéns pelo testemunho. Bem haja…. E sim ganhamos muito mal. Ordenado mínimo..

  33. Adorei o que escreveu tanto que o publiquei no meu face. Ainda bem que existem pessoas como você que dão valor ao que é simples e a quem faz o sue trabalho com brio.Tem de se dar importante ás pessoas comuns que fazem “grandes ” feitos

  34. Boa noite.
    Estou muito grata por ter partilhado este maravilhoso texto, sobre o Marco. Fiquei emocionada. Admiro ambos. A si por ter dado a conhecer um bom ser humano e a ele por fazer a diferença na sua honestidade e simplicidade.
    Curiosamente ontem conversei com o meu filho mais novo sobre as profissões. Ele tem 25 anos, é engenheiro e no fim de semana encontrou um colega do 6º ano. Ficaram contentes por se encontrarem. O amigo do meu filho não seguiu os estudos e está feliz como segurança. Tivemos a conversa, porque o meu filho não queria que o amigo se achasse inferior , pois quando lhe disse que é engenheiro ,o amigo ficou surpreendido e pareceu envergonhado. Eu disse-lhe: filho, todas as pessoas são importantes nas suas áreas de trabalho. Pensa por exemplo nos senhores que recolhem o lixo de noite… se não o fizessem vivia-mos numa lixeira. Foi muito bom teres encontrado o teu amigo ao fim de tantos anos. Reataram contacto e vão-se encontrar mais vezes.
    Parabéns Marco e obrigada.
    alice ferreira

    1. Parabéns ao Marco e parabéns a quem se lembrou de fazer notícia de uma coisa boa! Se a comunicação social se preocupasse em dar a conhecer o que de positivo vai acontecendo, um pouco por toda a parte, certamente teríamos uma sociedade mais feliz. Parece-me que já ninguém duvida de que os exemplos, bons ou maus, influenciam muito a atitude de quem toma conhecimento deles. A banalização do que é errado acaba por desculpabilizar e faz com que se ache natural qualquer atitude.

    2. Que prova tão clara nos deixa o marco: Não é o trabalho que dignifica a pessoa; mas a pessoa é que dignifica o seu trabalho. congratolo-me pelos valores que defende e que na nossa sociedade, hoje já tão poucos conhecem . Bem haja

  35. Gostei do seu texto. É gratificante constatar que ainda existem pessoas como o Hugo que valoriza e o Marco para ser valorizado. Faz- me bem ler coisas boas sobre pessoas, neste mundo cada vez mais vazio e despojado de sentimentos. Obrigada pela partilha.

  36. O rapaz, de quem se fala – ou melhor, de quem o Hugo fala – o Marco, sendo assim uma pessoa tão simples e discreta, certamente que não apreciará muito a divulgação e a natural curiosidade e a confusão que ela pode suscitar. Porém, residindo eu a cerca de 4 km da povoação onde ele exerce as suas funções de varredor – há quem lhes chame técnicos de limpeza – não posso deixar de o “espreitar”, mesmo de longe, discretamente, só para lhe render a minha secreta homenagem. O Marco Monteiro nem dará pela minha “bisbilhotice” e, por isso, o seu ego irá ficar tal como estava antes: simples, simples, varrendo, varrendo… mas eu vou ter a sensação de que, embora de modo secreto, fiz algo que me vai fazer sentir mais “gente”.

    1. Caro José Caria. A sua hipótese faz sentido. Contudo, não corresponde bem à verdade. Tive naturalmente o cuidado de falar com ele antes. E agora, que a coisa começou a ganhar muita visibilidade, voltei a falar. Aliás, passei a estar em contacto frequente com o Marco. Está muito satisfeito e autorizou-me a que divulgasse o seu local de trabalho em concreto, por exemplo. Sem a sua autorização, não o faria. Bem-haja.

      1. Boa noite,moro nesse local e conheço o trabalho do Marco ha anos,sempre com o mesmo empenho e brio no que faz.Precisamos de muitos Marcos…..

  37. Boa noite! Por necessidade já fui cantoneiro e colega do Marco, isto foi em 2010…fico feliz pelo reconhecimento a este jovem. Um grande bem haja Marco e fiquei contente por esta homenagem. Força e muita garra. Abraço.

  38. Lembrei me logo, dum Senhor Varredor na área de Carcavelos .
    É de uma rapidez e profissionalismo de se tirar a chapéu.
    Numa parei para o cumprimentar pois tenho que levar o meu filho pelas 8h à escola, a Oeiras.
    Mas, vou parar mesmo, porque faço questão de lhe dizer que apesar de passar rapidamente por ele, vejo o sempre a trabalhar com grande profissionalismo.
    Será que a C.M. CASCAIS, sabe isso ?
    Muitos Parabéns pelo excelente Funcionário Público, da CMC .
    Também não tem, direito a “Prémio”, como os Funcionários Públicos das Finanças ?
    Este Varredor de Carcavelos bem merecia o Prémio .
    Celina Nascimento Mendonça

  39. Um dia li uma frase que me marcou enquanto varredor, “Se alguém varre as ruas para viver, deve varrê-las como Michelângelo pintava, como Beethoven compunha, como Shakespeare escrevia.” in Martin Luther King, e toda a gente dirá por aqui passou o melhor varredor do mundo.
    Obrigado, pois enquanto varredor encontro poucos escritos sobre nós, embora em verdade muitos nos agradeçam verbal e afectuosamente o trabalho e a dedicação, e acredite, ser varredor é muito gratificante humanamente falando claro.

      1. José Rocha devo dizer que quando andava na escola infantil com 4 anos de idade escolhi a vassoura de varrer as ruas como simbolo a colocar na minha capa de trabalhinhos! O vosso trabalho é de uma importância imensa … todos nos orgulhamos de ter uma cidade limpa!

  40. Pois, Tanbém cruzo com ele quase todos os dias, reparo nas ruas e passeios bem limpos.
    Ele é muito profissional, mesmo nos dias invernosos ele é capaz de levar consigo a maior parte das folhas coladas ao chão. Consegue dar um bom dia sempre com alegria : Um dia cruzei com o Marco em Leça no seu Mini .Fiquei contente ver o Marco feliz. O trabalho compensa.

  41. Parabens por haver ainda pessoas que se preocupam e dao valor ao proximo.
    Quanto ao Marco, nao o conheco pessoalmente, mas pelo que li, quando se gosta do que se faz, e se tem gosto e brio, tudo parece facil, o que nao acontece porque e um trabalho muito pesado e muito complexo mas ele consegue faze lo parecer facil, ainda bem que ha pessoas que gostam do que fazem

      1. Parabéns, Hugo! Por mais esta resposta, confirma a sua boa formação. Não o conheço, mas obrigada por ajudar este mundo e ser menos cinzento!

    1. Muitas vezes, uma palavra vale imensamente mais que tudo o resto. Sinceramente… fruto da sociedade em que vivemos, conseguiu tirar apenas negatividade de um gesto nobre!…

    2. Muitas vezes, uma palavra vale imensamente mais que tudo o resto. Sinceramente… fruto da sociedade em que vivemos, conseguiu tirar apenas negatividade de um gesto nobre!…

  42. Caro Hugo, emociona-me a sua homenagem sincera a quem a merece e imagino a felicidade do Marco ao sentir reconhecido o seu trabalho. Felizmente nem tudo é tristeza e desvario neste país, pois ainda há quem insista, mostrando que vale a pena, em arrumá-lo e apresentá-lo da melhor maneira. – Um abraço fraterno para cada um, fazendo votos para que o vosso exemplo, de trabalho e de reconhecimento, sirva de lição aos mais distraídos. Obrigado, Leonel Borrela (Beja).

  43. Não e so aprender do exemplo de dedicação e profissionalismo do Marco, tambem se agradeçe a todos não aventarmos papeis para o chao e para onde quer que calha, estou farto de ver fazer isso e seria bom que não termos esta atitude, tambem para respeitar pessoas como o Marco. Pensem nisso!!! Cump a todos

  44. Parabéns ao Marco e a quem decidiu homenageá-lo. Esta situação faz me lembrar um bocadinho a minha. Sou temporário há quase 4 anos numa empresa onde dou o litro todos os dias que lá entro. Nas diversas funções que me destinam, faço um número maior que a maioria dos meus colegas ( esses fazem as médias). Eu tento superar-me, suar, deixar tudo orientado, tentar arrumar trabalho que acumulou. Esforço-me imenso. Chamam-me louco que não posso ser assim porque vou estourar, dizem para ter calma para haver trabalho. Dizem mil e uma coisa, mas continuo a dar-lhe forte e feio. Em outubro, houve uma entrada para os quadros da empresa. Em 50, entraram 20. Fiquei de fora!!! Desilusão… Passou-me gente com menos tempo à frente. Passou para os quadros alguns fracos trabalhadores. E também passaram para os quadros alguns de forma justa, pelo binómio tempo de temporário e pela sua dedicação. Comecei novamente o ano, continuo a devorar trabalho, tento sempre, só se não der mesmo. Espero não ter outra desilusão….

    1. Boas. O Marco é o exemplo acabado de que a um grande profissional nunca faltará trabalho. Não tenhas dúvidas de que se ele hoje disser que está desempregado, não lhe faltarão propostas de trabalho. E o teu dia certamente chegará, reconhecido e devidamente recompensado. Muito boa sorte.

  45. Grande exemplo de vida, não só de viver mas também de como saber viver. O bom exemplo não se retira apenas do jovem trabalhador empenhado nas suas funções e que as exerce com paixão e dedicação, retira-se também do olhar atento de alguém, olhar esse, que conduziu a este texto no seu Blog. Parabéns pela demonstração de humanização, que tanto vai faltando por estes dias.

  46. Nem sei bem que diga. Uma lição de como levar a vida de ambos. Sinto-me profundamente agradecido por ler semelhante história. Uma história simples, real, numa época tão egoísta como a que vivemos. Ainda por cima somos todos vizinhos. Algum dia vou ver o Marco certamente, pois agora vou estar com os olhos abertos e pararei certamente para lhe agradecer o profissional que é. Ao Hugo agradeço também. Agradeço o facto de ter parado. Agradeço o facto de ser ter preocupado, Agradeço o facto de ter partilhado, e acima de tudo, agradeço o facto de ter despertado em nós sentimentos que julgo cada vez mais distantes desta nossa sociedade. Um muito Obrigado a ambos.

  47. Era bom recolher assinaturas na sua rua e enviar uma carta de elogio à empresa onde trabalha o Marco. Acho até que já o vi pela zona das escolas em S. Mamede Infesta.

    1. Tive la uma semana a meter a zona limpa, agora tou na zona da santana, tambem tive 3 anos e tal no centro de sao mamede, agora na santana 2 anos e 4 meses silvia

  48. O trabalho dignifica o homem.
    O brio ( palavra caída em desuso) dá ao trabalhador a admiração por si próprio, naquilo que faz.
    O reconhecimento dos outros é incentivo a continuar o impulso que o brio move.
    A admiração que temos pelo que os outros fazem com brio e esmero não é esmola que se dê às escondidas. Também não é a que se dá à porta da igreja na saída da missa.
    É a nobreza do reconhecimento, pelo esforço dedicação e empenho daqueles que nos são iguais, seja qual for a tarefa que desempenham ou de que foram incumbidos.
    Nada mais adequado que as palavras deixadas por Luther King. No desempenho duma profissão todos somos iguais, a profissão é que pode ser diferente.
    Daí, não sei porque não são dados Globos de Ouro a outras profissões que não sejam as, até agora, com eles privilegiadas. Haverá diferença no mérito?

  49. Eu estou muito contente com todas as partilhas, e que comentarios que me tem feito, faco isso tambem para dar visibilidade a quem nao tem, a nossa sociedade e muito injusta

  50. Fico contente pois sempre admirei este trabalhador, aliás eu e a minha mãe já o elogiamos pessoalmente, e constato que não sou a única! 😉

  51. A prova de que o nosso povo é bom, profissional e merece o melhor! Pena é que este brio, esta verticalidade moral e ética não sejam tão comuns nas classes mais altas e sobretudo nas esferas do poder….

  52. Já tudo foi dito, adorei esta história profissional do Marco e também de quem a trouxe até aqui. Resta-me uma pergunta: Se houvesse muitos mais Marcos nas mais várias profições espalhados neste Mundo, como viviamos todos nós?

  53. Grande exemplo para muitos Drs. deste país e para os “trabalhadores” em geral.
    Parabéns Marco e parabéns também para o autor do texto

  54. MARÍLIA
    DEPOIS DE LER TODOS ESTES ESCRITOS, SÓ ME APETECE DIZER DO FUNDO DO CORAÇÃO…
    ««DEUS GUARDE TODOS OS MARCOS E OS HUGOS DE PORTUGAL»»

  55. da-lhe gas camarada e nunca tenhas vergonha do ke fazes,tambem sou funcionario publico,mas na secçao de obras,sou calçeteiro na junta de sao sebastiao em setubal,vergonhoso sao os noxos politicos ke ganham aos milhares e so fazem e “MERDA”atras de merda,ixo sim,e vergonhoso pro noxo pais

  56. Após ler esta linda história não pude deixar de comentar aqui o trabalho do varredor da minha rua, numa aldeia no Alentejo, onde as ruas têm laranjeiras carregadinhas de laranjas que ninguém apanha … e que estão sempre a cair … De facto este varredor todos os dias deixa a rua limpinha. Com calores alentejanos a bater os 38 graus … e ele a apanhar as laranjas e as folhas com igual vontade de manhã à noite. Sempre lhe dou umas palavrinhas de ânimo e incentivo pelo excelente trabalho. A vida é feita destes pequeno gestos … um bem haja para todas as pessoas que contribuem para que os nossos dias sejam melhores … um bem haja especial ao Hugo e ao Marco.

  57. Parabéns ao Marco e parabéns a dobrar para o senhor que publicou o texto deviam de haver mais destes exemplos e a comunicação social devia de divulgar mais destes casos pois esses trabalhadores de rua devem e merecem todo o nosso respeito como um bom dia ou uma boa tarde pois são eles que mantém as nossa ruas limpas

  58. obrigada pela partilha, pois vivo na Maia mas muito perto de Santana, lugar dificil, especialmente em dia de feira…..todos no fundo temos um motivo, para abrilhantar o dias aos outros…..é só querer…parabéns.

  59. Bem hajas Marco por mostrares que tenho razão no meu lema, “não importa o que fazes importa é que o faças bem feito”.
    Todas as profissões são dignas se nós as dignificarmos!

  60. Já trabalhei com o marco a muitos anos atrás
    Nessa altura montávamos telhados em armazéns e ele sempre foi assim humilde e trabalhador, nunca reclamava e está sempre de sorriso na boca,
    Um bom rapaz que hoje se tornou num bom homem .
    Abraços

  61. Muito mérito tem o Marco e todos aqueles trabalhadores que pelo seu mérito e esforço fazem andar o país. Infelizmente estes exemplos são largamente ultrapassados por exemplos como o da varredora à minha porta. Vem dos rendimentos mínimos e o seu brio profissional é também mínimo. Passa mais tempo ao telemóvel que a varrer e metade do tempo está sentada no banco de jardim em cavaqueira com a filha. Para varrer um praceta com uns 100m2 leva toda a manhã. 😛

  62. Meu DEUS….!!!!!
    Li, reli e ainda voltei a ler! Fico…(nem sei como hei-de dizer) boquiaberto, sensibilizado, comovido, intrigado, admirado, revoltado, etc. Em suma, um misto de emoções, mas acima de tudo posso dizer que o sentimento que prevalece é sem dúvida a admiração por duas pessoas, um que nutre o mesmo sentimento que eu, e outro por quem é nutrido esse mesmo sentimento.

    Mas acima de tudo gostava aqui de salientar aquilo que se calhar nem toda a gente consegue ver, que é: aquilo que o Marco faz é acima de tudo respeitar toda a gente, faz objectivamente o que deve ser feito na sua classe, isto é, não estamos habituados a que os varredores de rua deixem tudo limpo, e isso é o desrespeito por quem paga, por quem organiza o seu trabalho e acima de tudo por quem vê e vive nas ruas em que limpam (porque quando me “fazem” nas costas respeitam-me a cara).

    Revolta, por não ter o Marco, na minha rua, na rua da minha loja, nas ruas da minha cidade. (mas isto é inveja, vou apagar este sentimento da minha cabeça)
    Porque eu pago em 3 contas de recolha de lixo, cerca de 140 € mês no total, e… NADA! Sim NADA! Em qualquer lado se vê exactamente o contrário daquilo que o Marco faz, tem dias que nem se vê a pessoa.

    “Custa tanto fazer bem como mal, custa é fazer!”

    Um bem-haja ao Marco, a todos os “Marcos” “Marias” que o fazem tal como o Marco, que todos os dias dignificam a sua classe. Porque não é por ser varredor de ruas que são menos que os outros.

    Um bem-haja ao Hugo Belchior pelo seu post, que numa simples ação, mostra a todos nós os sentimentos e reconhecimento que devemos ter pelos outros.

    Honra e dignidade são coisas raras na nossa sociedade, coisas que nos são roubadas todos os dias.

    “Um Marco na vida, uma memória um dia.” este é o meu lema, e concerteza deste Marco também!

  63. Grande exemplo, parabéns ao Marco e ao escritor
    Pena que outros não lhe sigam o exemplo, de certo Portugal, seria um sitio melhor
    Mas enquanto o Marco se esforça por manter tudo limpo e perfeito, outros há que apenas passam pelas ruas a fingir que limpam e a entrar nos cafés, ou escondidos pelos cantos.
    Parabéns, Marco, pela pessoa especial que é.
    Espero que a empresa para que trabalha, lhe dê o valor que merece.

  64. O Marco na sua opiniao e um excelente profissional mas o Sr. e um excelente ser humano.
    Se o mundo tivesse mais “Hugos” seria muito melhor.
    Felicidades a ambos

  65. Concordo 100%. “É preciso ter gosto no que se faz.” Parabéns Marco pelo desempenho e Parabéns Hugo pela atitude e pela notícia. Existe sociedade e familiaridade para além da economia, politica, sexo, desporto, desgraça e solidariedade

  66. Quis o destino que eu passasse hoje por esta história do Marco e que através dela tivesse recordado de imediato dois recentes momentos em que vivi casos semelhantes.
    Tratam -se de duas situações que me levaram a fazer algo equivalente ao que aqui aconteceu com o Hugo Belchior. Todavia, até nisso – refiro-me ao reconhecimento e ao elogio – este país se revela minúsculo.
    No primeiro dos casos dispus-me a agradecer, elogiar e conferir destaque a um Serviço específico de um hospital público onde um familiar meu recebera, durante cerca de 15 dias e até ali vir a falecer, no mais inesperado dos atendimentos, a qualidade e excelência de um profissionalismo sem reparo prestado pelas sucessivas equipas de médicos e enfermeiros que o integravam.
    Dirigi o referido enaltecimento ao actual Ministro da Saúde, à Administração do dito hospital e ao Director Clínico responsável pelo aludido Serviço. A todos pedi que fizessem chegar aqueles profissionais o eco do meu (nosso, já que o fiz em nome da família) agradecimento.
    Nenhum deles se dignou responder. Mais, meses depois comprovei através de um dos referidos profissionais que nunca lhes chegara a mais pequena ressonância do meu gesto.
    Em suma: este é o Estado que eu conheci (de experiência vivida) durante trinta e muitos anos. Um estado pequenino dirigido por superiores aos quais são indiferentes os elogios que não lhes confiram a eles os louros do merecimento ou do valor.
    No segundo caso, ocorrido pouco mais de um ano depois, dispus-me eu, de novo, a expressar o meu agrado pela qualidade e pelo profissionalismo de uma outra equipa de elementos da área da saúde cujo empenho jamais me poderia ter deixado indiferente.
    Tratava-se de uma instituição privada (da área da saúde, como disse) cuja qualidade e competência é já frequentemente comentada na nossa comunicação social e que, não só por isso, se encontra há muito ratificada. Isto é, talvez dispensasse mesmo a insignificância daquele meu gesto.
    Desta vez o meu reconhecimento foi expresso ao seu Administrador, ao Director Clínico e ao Chefe de Equipa, em termos análogos ao primeiro dos casos que aqui descrevi, desta vez relacionando, um a um, todos os nomes dos diversos intervenientes – cerca de oito elementos.
    Resultado: em menos de uma semana recebi, manuscrito (repito, escrito à mão), um longo e justificado (através de inesperada argumentação) agradecimento da parte do citado Administrador, bem assim como duas outras cartas de agradado acolhimento de cada um dos restantes destinatários.
    A nenhum deles foi indiferente o meu aplauso à referida equipa, o qual, face à satisfação que lhes causava, fizeram questão de me expressar.
    Ainda assim, como se não fosse meu o dever de lhes agradecer, semanas depois, sabendo da minha presença na instituição, todos os oito visados no meu gesto tiveram para comigo a inesperada reacção de me vir cumprimentar e dizer do seu agrado pelo efeito causado.
    Concluindo: é tendo presentes estes dois exemplos, de gratidão e injustiça, que eu acabo de ler o episódio do varredor Marco e, inevitavelmente, me sinto, também eu, no dever de lhe dizer, obrigado Marco por fazer o que faz (tão bem) num país como este.

  67. Quando vi esta linda história do Marco Monteiro,
    fiquei comovida porque conheço-o muito bem.
    Sei do seu trabalho ja faz algum tempo, é muito trabalhador, muito humilde e muito sincero, nao faz mal a ninguem é um miudo como poucos.
    Um filho que todos os pais gostariam de o ter, muito amigo do seu amigo,
    e amigo dos pais preocupa-se muito com eles e com o seu irmao mais novo.
    E tenta que nada lhe falte ao seu irmão mais novo, estando sempre a ver se lhe falta alguma coisa.
    É muito poupado porque sabe dar valor á vida pois sai-lhe do corpo o seu ordenado não é de vicios nem de noites fora.
    Por isso é que á custa do seu trabalho, já tirou a carta de condução e comprou o seu carro.
    E vai comprando as suas proprias coisas que gosta como roupa e outras coisas tambem para o irmão.
    Querido Marco Monteiro, tenta ser sempre como és e verás sempre DEUS do teu lado bjnhos grandes da tua amiga, a quem já chamaste um dia de ««tia»» sou agora a mecanica do teu carro com muito gosto.

    Ao Julio Monteiro e
    Isabel Barbosa

    PARABÉNS PELA EDUCAÇÃO DO VOSSO FILHO
    OGRIGADA AO SR. HUGO QUE DEU VALOR AO MARCO POIS ELE MERECE ISTO E MIUTO MAIS
    TEM 1 CORAÇÃO DO TAMANHO QUE NINGUÉM IMAGINA SÓ QUEM O CONHECE É QUE SABE
    ESTOU ORGULHOSA DE TI E ACREDITO QUE VAIS MUITO MAIS LONGE

    MUITOS BJNHOS PARA TI MARCO MONTEIRO

    1. Obrigado por tudo, beijos grandes, vou continuar a fazer ainda melhor, pelo trabalho e pelas pessoas, sou assim e nao vou mudar por nada deste mundo

  68. “If it falls your lot to be a street sweeper, sweep streets like Michelangelo painted pictures, sweep streets like Beethoven composed music, sweep streets like Leontyne Price sings before the Metropolitan Opera. Sweep streets like Shakespeare wrote poetry. Sweep streets so well that all the hosts of heaven and earth will have to pause and say: Here lived a great street sweeper who swept his job well. If you can’t be a pine at the top of the hill, be a shrub in the valley. Be the best little shrub on the side of the hill.”

    — Martin Luther King Jr

  69. Na escola era gozado, batiam-lhe, etc. … podia ter virado um mau exemplo na sociedade, dado a infância complicada que teve. Mas não. ÉS GRANDE MARCO !!! CONTINUA.
    NÃO IMPORTA O QUE FAZEMOS, IMPORTA É COMO O FAZEMOS.
    Abraço

  70. Depois de tudo o que li sobre o Marco e sobre os vários sentimentos suscitados pelo seu trabalho e personalidade, ganhei o dia com um sentimento enorme de gratidão por ele e por quem valoriza o que de bom há no SER HUMANO .

  71. Bom dia Dr. Hugo,
    Prazer imenso em ler seu blog, especialmente “O varredor de ruas”.
    Certamente é tudo que comentamos naquele jantar excepcional com que nos brindou, a mim e ao Dr. Raphael Cunha.
    Imersa nesse espírito empreendedor retornei as atividades laborais revigorada.
    Agradeço toda a gentileza e atenção com que nos acolheu.
    Esperamos você no Brasil.
    Oxalá para suas novas e auspiciosas conquistas.
    Abraços fraternos da Helen de Lima

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