Varredor de ruas

Há já largos meses me tinha chamado a atenção a forma de trabalhar do varredor da zona onde moro.

Muito cedo, pouco depois das 7 da manhã, era frequente vê-lo já a trabalhar. À tarde, lá estava ele, noutra rua. No inverno, com chuva e frio. No verão, com sol e calor. E sempre, sempre, com a mesma energia. A mesma frenética dedicação. Dei comigo admirando o profissionalismo daquele jovem indivíduo.

Decidi que um dia que nos cruzássemos a pé, lhe diria que tinha reparado no seu trabalho e que o admirava.

Os meses foram passando e, quando passava por ele, ia de carro. Ainda pensei em parar algumas vezes mas nunca o fiz. Acho que, arrogantemente, não queria correr o risco de ficar desiludido. Afinal, não o conhecia de lado nenhum.

Mas, hoje, à hora de almoço, ao estacionar em frente a casa, carro com A/C no frio máximo, eis que o vejo do outro lado da rua.

Fui ter com ele. Suava em bica. O calor era infernal.

Cumprimentei-o e começámos a falar. Perguntei-lhe a que horas começava a trabalhar, à guisa de ice-breaker, e disse-lhe que admirava o seu trabalho porque, estivesse frio ou calor, chovesse ou fizesse Sol, o via sempre com o mesmo empenho e dedicação quando, em bom rigor, se trabalhasse com menos ritmo, certamente ninguém se preocuparia em demasia.

Com o elogio devolveu-me um sorriso e resumiu toda a razão da sua dedicação com um singelo: “É preciso ter gosto no que se faz”.

Falámos um pouco mais e ele, orgulhoso, disse-me que não era a primeira pessoa que o elogiava, que lhe tinham dito algumas vezes que nunca as ruas tinham estado tão limpas – o que confirmo – e que ele o fazia assim porque era “perfeccionista”; que gostava de fazer as coisas bem feitas.

Explicou-me o seu conceito de brio apontando para uns enormes eucaliptos a 30 m de distância, dizendo que naquela zona, o fim de uma rua sem saída, sempre cheio de folhas, chegava a apanhar folha a folha do chão, para tudo ficar perfeito.

Dei-lhe uma vez mais os parabéns pelo bom trabalho, cumprimentei-o e entrei em casa.

Entrei em casa e continuava a pensar no varredor e decidi que o seu brio devia ser celebrado. Pensei que merecia uma entrada neste blog – a minha homenagem singela – e voltei a sair de casa.

Estava precisamente ao lado dos tais eucaliptos, metido no seu trabalho como sempre.

Ficou meio surpreendido quando me voltou a ver, e mais supreendido ficou quando lhe disse que achava o seu exemplo tão relevante – a maioria das pessoas no seu lugar, com o seu ordenado e com a dureza da tarefa, certamente se contentaria em fazer um trabalho menor – que o queria relatar no meu blog. Sorriu de novo. Perguntei-lhe se podíamos tirar uma foto e simpaticamente autorizou.

Marco - Varredor de Ruas

Continuámos a falar. Tem 28 anos – parece mais velho, que o Sol e o frio não perdoam – trabalha como varredor há 8. Veio destacado de outra zona porque mais nenhum colega estava a conseguir varrer todas aquelas ruas no tempo definido. Como a tarefa estava a ser impossível, o chefe desafiou-o a ele. E ele, deu conta do recado!

Perguntei-lhe se já tinha sido premiado por isso. “Pagar mais não pagam. Mas dão-me uns serviços extra. E isso dá-me mais um dinheiro importante no fim do mês.” E quando entrou na empresa, rapidamente passou aos quadros – nem sequer fez todo o trajecto que os outros fazem – porque gostaram logo do seu trabalho.

Disse-me ainda que antes de começar naquele trabalho já tinha passado por várias “artes” e que fazia qualquer coisa que precisasse de ser feita. E ele até tinha formação em informática mas, curiosamente, nunca tinha trabalhado naquela área.

Se queria mudar? Não, para já estava bem. Eram certos a pagar, estava efectivo e gostava do que fazia. E no final do mês, com todos os extra, já ganhava um ordenado simpático – o número final surpreendeu-me pela positiva.

Disse-me tudo isto sempre com um sorriso. E agora, enquanto escrevo estas linhas, sentado a uma secretária, ar condicionado ligado, garrafa de água ao lado, lembro-me das palavras sábias do varredor: “É preciso ter gosto no que se faz.”

Do que consigo ver – o resultado do seu trabalho – não duvido que é um excelente profissional. Um profissional que vai para além daquilo que são os mínimos. E que, indiscutivelmente, coloca paixão no que faz.

O varredor chama-se Marco. Amanhã estará certamente no seu posto de trabalho às 7 horas da manhã com vontade de deixar o seu rasto, limpando o rasto de outros. O Marco é varredor e, hoje, deu-me uma lição.

PS. Junto esta informação 40.000 visualizações depois! Muitas pessoas têm perguntado onde trabalha o Marco Monteiro. Trabalha na zona de Leça do Balio (Santana), através da empresa VerdeVista.

141 pensamentos sobre “Varredor de ruas

  1. Boa noite.
    Estou muito grata por ter partilhado este maravilhoso texto, sobre o Marco. Fiquei emocionada. Admiro ambos. A si por ter dado a conhecer um bom ser humano e a ele por fazer a diferença na sua honestidade e simplicidade.
    Curiosamente ontem conversei com o meu filho mais novo sobre as profissões. Ele tem 25 anos, é engenheiro e no fim de semana encontrou um colega do 6º ano. Ficaram contentes por se encontrarem. O amigo do meu filho não seguiu os estudos e está feliz como segurança. Tivemos a conversa, porque o meu filho não queria que o amigo se achasse inferior , pois quando lhe disse que é engenheiro ,o amigo ficou surpreendido e pareceu envergonhado. Eu disse-lhe: filho, todas as pessoas são importantes nas suas áreas de trabalho. Pensa por exemplo nos senhores que recolhem o lixo de noite… se não o fizessem vivia-mos numa lixeira. Foi muito bom teres encontrado o teu amigo ao fim de tantos anos. Reataram contacto e vão-se encontrar mais vezes.
    Parabéns Marco e obrigada.
    alice ferreira

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    • Parabéns ao Marco e parabéns a quem se lembrou de fazer notícia de uma coisa boa! Se a comunicação social se preocupasse em dar a conhecer o que de positivo vai acontecendo, um pouco por toda a parte, certamente teríamos uma sociedade mais feliz. Parece-me que já ninguém duvida de que os exemplos, bons ou maus, influenciam muito a atitude de quem toma conhecimento deles. A banalização do que é errado acaba por desculpabilizar e faz com que se ache natural qualquer atitude.

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  2. O rapaz, de quem se fala – ou melhor, de quem o Hugo fala – o Marco, sendo assim uma pessoa tão simples e discreta, certamente que não apreciará muito a divulgação e a natural curiosidade e a confusão que ela pode suscitar. Porém, residindo eu a cerca de 4 km da povoação onde ele exerce as suas funções de varredor – há quem lhes chame técnicos de limpeza – não posso deixar de o “espreitar”, mesmo de longe, discretamente, só para lhe render a minha secreta homenagem. O Marco Monteiro nem dará pela minha “bisbilhotice” e, por isso, o seu ego irá ficar tal como estava antes: simples, simples, varrendo, varrendo… mas eu vou ter a sensação de que, embora de modo secreto, fiz algo que me vai fazer sentir mais “gente”.

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  3. Lembrei me logo, dum Senhor Varredor na área de Carcavelos .
    É de uma rapidez e profissionalismo de se tirar a chapéu.
    Numa parei para o cumprimentar pois tenho que levar o meu filho pelas 8h à escola, a Oeiras.
    Mas, vou parar mesmo, porque faço questão de lhe dizer que apesar de passar rapidamente por ele, vejo o sempre a trabalhar com grande profissionalismo.
    Será que a C.M. CASCAIS, sabe isso ?
    Muitos Parabéns pelo excelente Funcionário Público, da CMC .
    Também não tem, direito a “Prémio”, como os Funcionários Públicos das Finanças ?
    Este Varredor de Carcavelos bem merecia o Prémio .
    Celina Nascimento Mendonça

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  4. Um dia li uma frase que me marcou enquanto varredor, “Se alguém varre as ruas para viver, deve varrê-las como Michelângelo pintava, como Beethoven compunha, como Shakespeare escrevia.” in Martin Luther King, e toda a gente dirá por aqui passou o melhor varredor do mundo.
    Obrigado, pois enquanto varredor encontro poucos escritos sobre nós, embora em verdade muitos nos agradeçam verbal e afectuosamente o trabalho e a dedicação, e acredite, ser varredor é muito gratificante humanamente falando claro.

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  5. Pois, Tanbém cruzo com ele quase todos os dias, reparo nas ruas e passeios bem limpos.
    Ele é muito profissional, mesmo nos dias invernosos ele é capaz de levar consigo a maior parte das folhas coladas ao chão. Consegue dar um bom dia sempre com alegria : Um dia cruzei com o Marco em Leça no seu Mini .Fiquei contente ver o Marco feliz. O trabalho compensa.

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  6. Parabens por haver ainda pessoas que se preocupam e dao valor ao proximo.
    Quanto ao Marco, nao o conheco pessoalmente, mas pelo que li, quando se gosta do que se faz, e se tem gosto e brio, tudo parece facil, o que nao acontece porque e um trabalho muito pesado e muito complexo mas ele consegue faze lo parecer facil, ainda bem que ha pessoas que gostam do que fazem

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  7. Caro Hugo, emociona-me a sua homenagem sincera a quem a merece e imagino a felicidade do Marco ao sentir reconhecido o seu trabalho. Felizmente nem tudo é tristeza e desvario neste país, pois ainda há quem insista, mostrando que vale a pena, em arrumá-lo e apresentá-lo da melhor maneira. – Um abraço fraterno para cada um, fazendo votos para que o vosso exemplo, de trabalho e de reconhecimento, sirva de lição aos mais distraídos. Obrigado, Leonel Borrela (Beja).

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  8. Não e so aprender do exemplo de dedicação e profissionalismo do Marco, tambem se agradeçe a todos não aventarmos papeis para o chao e para onde quer que calha, estou farto de ver fazer isso e seria bom que não termos esta atitude, tambem para respeitar pessoas como o Marco. Pensem nisso!!! Cump a todos

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  9. Parabéns ao Marco e a quem decidiu homenageá-lo. Esta situação faz me lembrar um bocadinho a minha. Sou temporário há quase 4 anos numa empresa onde dou o litro todos os dias que lá entro. Nas diversas funções que me destinam, faço um número maior que a maioria dos meus colegas ( esses fazem as médias). Eu tento superar-me, suar, deixar tudo orientado, tentar arrumar trabalho que acumulou. Esforço-me imenso. Chamam-me louco que não posso ser assim porque vou estourar, dizem para ter calma para haver trabalho. Dizem mil e uma coisa, mas continuo a dar-lhe forte e feio. Em outubro, houve uma entrada para os quadros da empresa. Em 50, entraram 20. Fiquei de fora!!! Desilusão… Passou-me gente com menos tempo à frente. Passou para os quadros alguns fracos trabalhadores. E também passaram para os quadros alguns de forma justa, pelo binómio tempo de temporário e pela sua dedicação. Comecei novamente o ano, continuo a devorar trabalho, tento sempre, só se não der mesmo. Espero não ter outra desilusão….

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  10. Grande exemplo de vida, não só de viver mas também de como saber viver. O bom exemplo não se retira apenas do jovem trabalhador empenhado nas suas funções e que as exerce com paixão e dedicação, retira-se também do olhar atento de alguém, olhar esse, que conduziu a este texto no seu Blog. Parabéns pela demonstração de humanização, que tanto vai faltando por estes dias.

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  11. Nem sei bem que diga. Uma lição de como levar a vida de ambos. Sinto-me profundamente agradecido por ler semelhante história. Uma história simples, real, numa época tão egoísta como a que vivemos. Ainda por cima somos todos vizinhos. Algum dia vou ver o Marco certamente, pois agora vou estar com os olhos abertos e pararei certamente para lhe agradecer o profissional que é. Ao Hugo agradeço também. Agradeço o facto de ter parado. Agradeço o facto de ser ter preocupado, Agradeço o facto de ter partilhado, e acima de tudo, agradeço o facto de ter despertado em nós sentimentos que julgo cada vez mais distantes desta nossa sociedade. Um muito Obrigado a ambos.

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  12. O trabalho dignifica o homem.
    O brio ( palavra caída em desuso) dá ao trabalhador a admiração por si próprio, naquilo que faz.
    O reconhecimento dos outros é incentivo a continuar o impulso que o brio move.
    A admiração que temos pelo que os outros fazem com brio e esmero não é esmola que se dê às escondidas. Também não é a que se dá à porta da igreja na saída da missa.
    É a nobreza do reconhecimento, pelo esforço dedicação e empenho daqueles que nos são iguais, seja qual for a tarefa que desempenham ou de que foram incumbidos.
    Nada mais adequado que as palavras deixadas por Luther King. No desempenho duma profissão todos somos iguais, a profissão é que pode ser diferente.
    Daí, não sei porque não são dados Globos de Ouro a outras profissões que não sejam as, até agora, com eles privilegiadas. Haverá diferença no mérito?

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  13. Após ler esta linda história não pude deixar de comentar aqui o trabalho do varredor da minha rua, numa aldeia no Alentejo, onde as ruas têm laranjeiras carregadinhas de laranjas que ninguém apanha … e que estão sempre a cair … De facto este varredor todos os dias deixa a rua limpinha. Com calores alentejanos a bater os 38 graus … e ele a apanhar as laranjas e as folhas com igual vontade de manhã à noite. Sempre lhe dou umas palavrinhas de ânimo e incentivo pelo excelente trabalho. A vida é feita destes pequeno gestos … um bem haja para todas as pessoas que contribuem para que os nossos dias sejam melhores … um bem haja especial ao Hugo e ao Marco.

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  14. Muito mérito tem o Marco e todos aqueles trabalhadores que pelo seu mérito e esforço fazem andar o país. Infelizmente estes exemplos são largamente ultrapassados por exemplos como o da varredora à minha porta. Vem dos rendimentos mínimos e o seu brio profissional é também mínimo. Passa mais tempo ao telemóvel que a varrer e metade do tempo está sentada no banco de jardim em cavaqueira com a filha. Para varrer um praceta com uns 100m2 leva toda a manhã. 😛

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  15. Meu DEUS….!!!!!
    Li, reli e ainda voltei a ler! Fico…(nem sei como hei-de dizer) boquiaberto, sensibilizado, comovido, intrigado, admirado, revoltado, etc. Em suma, um misto de emoções, mas acima de tudo posso dizer que o sentimento que prevalece é sem dúvida a admiração por duas pessoas, um que nutre o mesmo sentimento que eu, e outro por quem é nutrido esse mesmo sentimento.

    Mas acima de tudo gostava aqui de salientar aquilo que se calhar nem toda a gente consegue ver, que é: aquilo que o Marco faz é acima de tudo respeitar toda a gente, faz objectivamente o que deve ser feito na sua classe, isto é, não estamos habituados a que os varredores de rua deixem tudo limpo, e isso é o desrespeito por quem paga, por quem organiza o seu trabalho e acima de tudo por quem vê e vive nas ruas em que limpam (porque quando me “fazem” nas costas respeitam-me a cara).

    Revolta, por não ter o Marco, na minha rua, na rua da minha loja, nas ruas da minha cidade. (mas isto é inveja, vou apagar este sentimento da minha cabeça)
    Porque eu pago em 3 contas de recolha de lixo, cerca de 140 € mês no total, e… NADA! Sim NADA! Em qualquer lado se vê exactamente o contrário daquilo que o Marco faz, tem dias que nem se vê a pessoa.

    “Custa tanto fazer bem como mal, custa é fazer!”

    Um bem-haja ao Marco, a todos os “Marcos” “Marias” que o fazem tal como o Marco, que todos os dias dignificam a sua classe. Porque não é por ser varredor de ruas que são menos que os outros.

    Um bem-haja ao Hugo Belchior pelo seu post, que numa simples ação, mostra a todos nós os sentimentos e reconhecimento que devemos ter pelos outros.

    Honra e dignidade são coisas raras na nossa sociedade, coisas que nos são roubadas todos os dias.

    “Um Marco na vida, uma memória um dia.” este é o meu lema, e concerteza deste Marco também!

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  16. Grande exemplo, parabéns ao Marco e ao escritor
    Pena que outros não lhe sigam o exemplo, de certo Portugal, seria um sitio melhor
    Mas enquanto o Marco se esforça por manter tudo limpo e perfeito, outros há que apenas passam pelas ruas a fingir que limpam e a entrar nos cafés, ou escondidos pelos cantos.
    Parabéns, Marco, pela pessoa especial que é.
    Espero que a empresa para que trabalha, lhe dê o valor que merece.

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  17. Quis o destino que eu passasse hoje por esta história do Marco e que através dela tivesse recordado de imediato dois recentes momentos em que vivi casos semelhantes.
    Tratam -se de duas situações que me levaram a fazer algo equivalente ao que aqui aconteceu com o Hugo Belchior. Todavia, até nisso – refiro-me ao reconhecimento e ao elogio – este país se revela minúsculo.
    No primeiro dos casos dispus-me a agradecer, elogiar e conferir destaque a um Serviço específico de um hospital público onde um familiar meu recebera, durante cerca de 15 dias e até ali vir a falecer, no mais inesperado dos atendimentos, a qualidade e excelência de um profissionalismo sem reparo prestado pelas sucessivas equipas de médicos e enfermeiros que o integravam.
    Dirigi o referido enaltecimento ao actual Ministro da Saúde, à Administração do dito hospital e ao Director Clínico responsável pelo aludido Serviço. A todos pedi que fizessem chegar aqueles profissionais o eco do meu (nosso, já que o fiz em nome da família) agradecimento.
    Nenhum deles se dignou responder. Mais, meses depois comprovei através de um dos referidos profissionais que nunca lhes chegara a mais pequena ressonância do meu gesto.
    Em suma: este é o Estado que eu conheci (de experiência vivida) durante trinta e muitos anos. Um estado pequenino dirigido por superiores aos quais são indiferentes os elogios que não lhes confiram a eles os louros do merecimento ou do valor.
    No segundo caso, ocorrido pouco mais de um ano depois, dispus-me eu, de novo, a expressar o meu agrado pela qualidade e pelo profissionalismo de uma outra equipa de elementos da área da saúde cujo empenho jamais me poderia ter deixado indiferente.
    Tratava-se de uma instituição privada (da área da saúde, como disse) cuja qualidade e competência é já frequentemente comentada na nossa comunicação social e que, não só por isso, se encontra há muito ratificada. Isto é, talvez dispensasse mesmo a insignificância daquele meu gesto.
    Desta vez o meu reconhecimento foi expresso ao seu Administrador, ao Director Clínico e ao Chefe de Equipa, em termos análogos ao primeiro dos casos que aqui descrevi, desta vez relacionando, um a um, todos os nomes dos diversos intervenientes – cerca de oito elementos.
    Resultado: em menos de uma semana recebi, manuscrito (repito, escrito à mão), um longo e justificado (através de inesperada argumentação) agradecimento da parte do citado Administrador, bem assim como duas outras cartas de agradado acolhimento de cada um dos restantes destinatários.
    A nenhum deles foi indiferente o meu aplauso à referida equipa, o qual, face à satisfação que lhes causava, fizeram questão de me expressar.
    Ainda assim, como se não fosse meu o dever de lhes agradecer, semanas depois, sabendo da minha presença na instituição, todos os oito visados no meu gesto tiveram para comigo a inesperada reacção de me vir cumprimentar e dizer do seu agrado pelo efeito causado.
    Concluindo: é tendo presentes estes dois exemplos, de gratidão e injustiça, que eu acabo de ler o episódio do varredor Marco e, inevitavelmente, me sinto, também eu, no dever de lhe dizer, obrigado Marco por fazer o que faz (tão bem) num país como este.

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  18. Quando vi esta linda história do Marco Monteiro,
    fiquei comovida porque conheço-o muito bem.
    Sei do seu trabalho ja faz algum tempo, é muito trabalhador, muito humilde e muito sincero, nao faz mal a ninguem é um miudo como poucos.
    Um filho que todos os pais gostariam de o ter, muito amigo do seu amigo,
    e amigo dos pais preocupa-se muito com eles e com o seu irmao mais novo.
    E tenta que nada lhe falte ao seu irmão mais novo, estando sempre a ver se lhe falta alguma coisa.
    É muito poupado porque sabe dar valor á vida pois sai-lhe do corpo o seu ordenado não é de vicios nem de noites fora.
    Por isso é que á custa do seu trabalho, já tirou a carta de condução e comprou o seu carro.
    E vai comprando as suas proprias coisas que gosta como roupa e outras coisas tambem para o irmão.
    Querido Marco Monteiro, tenta ser sempre como és e verás sempre DEUS do teu lado bjnhos grandes da tua amiga, a quem já chamaste um dia de ««tia»» sou agora a mecanica do teu carro com muito gosto.

    Ao Julio Monteiro e
    Isabel Barbosa

    PARABÉNS PELA EDUCAÇÃO DO VOSSO FILHO
    OGRIGADA AO SR. HUGO QUE DEU VALOR AO MARCO POIS ELE MERECE ISTO E MIUTO MAIS
    TEM 1 CORAÇÃO DO TAMANHO QUE NINGUÉM IMAGINA SÓ QUEM O CONHECE É QUE SABE
    ESTOU ORGULHOSA DE TI E ACREDITO QUE VAIS MUITO MAIS LONGE

    MUITOS BJNHOS PARA TI MARCO MONTEIRO

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  19. “If it falls your lot to be a street sweeper, sweep streets like Michelangelo painted pictures, sweep streets like Beethoven composed music, sweep streets like Leontyne Price sings before the Metropolitan Opera. Sweep streets like Shakespeare wrote poetry. Sweep streets so well that all the hosts of heaven and earth will have to pause and say: Here lived a great street sweeper who swept his job well. If you can’t be a pine at the top of the hill, be a shrub in the valley. Be the best little shrub on the side of the hill.”

    — Martin Luther King Jr

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  20. Bom dia Dr. Hugo,
    Prazer imenso em ler seu blog, especialmente “O varredor de ruas”.
    Certamente é tudo que comentamos naquele jantar excepcional com que nos brindou, a mim e ao Dr. Raphael Cunha.
    Imersa nesse espírito empreendedor retornei as atividades laborais revigorada.
    Agradeço toda a gentileza e atenção com que nos acolheu.
    Esperamos você no Brasil.
    Oxalá para suas novas e auspiciosas conquistas.
    Abraços fraternos da Helen de Lima

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